quinta-feira, 26 de março de 2009

parte I. Cap -03-

Após sete dias eu ainda era apenas um cadáver, porém o fato é que eu deveria ter começado a me decompor, e depois desses setes dias desacordado eu abri os olhos de súbito revirando-os na orbita registrando mais rápido do que o normal tudo o que eu via todos os cheiros que eu sentia todos os calores e gélidos que em meu corpo percorria. E não, O meu corpo ainda não havia se decomposto, apesar de sentir-lo diferente ele ainda estava inteiro.Então mais uma vez fechei os olhos e por mais um dia dormi. E no sono vaguei em sonhos que me eram estranhos. Sonhos esses que de fato não cabiam a eu sonhar. Eram sonhos de outras pessoas, sonhos em que elas desejavam coisas que eu jamais havia pensado antes que pudessem agradar alguém, outros sonhos simples. Alguns gananciosos outros sonhos impossíveis de se realizar, e alguns, os mais medonhos que já pude registrar. Sonhos imortais. Sonhos em que pessoas simplesmente queriam ser imortais por amor, por dinheiro, ou por uma amizade de infância. Eu ainda dormia quando fui acordado por uma coisa gelada roçando em minha pele. Algo deliciosamente atraente e convidativo, algo que aguçava meus sentidos todos. E alem disso havia um perfume no quarto onde eu ainda estava que me fazia delirar e enlouquecer.Acordei e sentir-me sendo abraçado por um anjo, de pele translúcida e fria. Kristanna após oito dias estava me abraçando e alisando meu rosto que tinha a barba por fazer, parecia se divertir.Ela havia entrado no quarto e se deitado ao meu lado, e havia acariciado meu rosto e peitoral.

Quem é você? – Eu a questionei com o semblante sonolento. Além de faminto. – Já o dela se contorceu esplendidamente em um sorriso de lado. Então com um olhar ainda mais esplendido, da minha face ao meu pescoço e desde ao meu abdômen, ela voltou a olhar minha face, especificamente meus lábios que ao questionarem se moveram lenta e singelamente.

Sabe quem sou. E sabes o que somos, sabe quem és agora, o que és. – Ela disse com a voz musical, algo que pareceu que ela sempre dizia. o que talvez fosse ensaiado ou repetido milhares de vezes.

Sei que és louca... Sei que vós e os outros também sois loucos – eu disse com a voz ríspida e tentei me levantar. É claro eu ainda estava amarrado e nem pensei em forçar muito as correntes, agora era o próprio metal que envolvia os meus punhos e era provável que eu acabaria por feri-lo gravemente.
A mulher pousou a mão sobre meu peito quando viu-me fazer tal tentativa. Talvez ela estivesse achando que eu seria capaz de arrebentar as correntes.

Assim como se tornaste um de nós agora, Josh! – Ela disse sorrindo serenamente olhando meus olhos, e naquele momento desejei mais uma vez poder sentir o gosto dos lábios dela, sentir também o doce sabor do seu sangue, sentir e acompanhar o seu fluxo.
O que você é? – Foi uma pergunta absolutamente sem sentido. Mas o modo como aquela mulher me atraia era tão estranho que mesmo que eu não a quisesse ela me fazia querer-la. E mesmo que eu a odiasse mais do que tudo eu ainda desejava-a mais, o meu ódio por ela parecia ser minúsculo perto do meu desejo por aqueles lábios, aquele gosto de sangue.

O que sou eu? O que sou eu? – Ela disse agora com o semblante divertido e zombeteiro.

O que é você! –Eu afirmei zangado olhando-a. Ela riu-se e me selou os lábios. –

Sou o que você sempre desejou, sou a fome, sou a sede, posso passar cem mil anos sem comer e ainda sim não morrerei, posso dormir cem mil dias sobre o gélido gelo e mesmo assim não congelarei, posso beber cem mil litros de sangue e mesmo assim eu não explodirei... Eu sou Kristanna – Ela disse olhando-me tão fixamente que tive a sensação de que ela podia ver a minha alma.

Eu sou como você, Josh querido, sou uma vampira!Uma vampira? Aquela linda mulher só poderia estar brincando, ou então estar ficando tristemente psicótica.

O que? O que eu... Sou? – Eu perguntei com se tivesse levado um golpe forte na cabeça e ainda estivesse meio tonto.

Você é um vampiro! – Ela disse olhando-me agora sem expressão. Eu não pude deixar de arregalar os olhos e me debater para me soltar, eu não queria acreditar, apesar de que a voz musical dela não carregar mentiras no momento eu não queria acreditar. Talvez ela tenha percebido, pois ela se levantou da cama e se postou em pé ao meu lado e mais uma vez pegou o canivete, então mais uma vez cortou o pulso e o pequeno corte que a lamina do objeto desferiu na carne dela começou a sangrar, de uma cor vermelha intensa que brilhava mais do que qualquer outra coisas e chamava a minha atenção tanto quanto ela em si chamava.

O que esta fazendo? – Eu perguntei com os olhos grudados no ferimento dela, e no sangue que escorreu lenta e suculentamente na pele branca dela.

Eu, nada... E você? – Ela disse com o olhar sensual e um sorriso divertido olhando para mim. Foi então que reparei que estava apertando as correntes e as puxando com força e pouco a pouco me levantando da cama. A corrente estava simplesmente sendo contorcida e amassando-se. - Eu arregalei os olhos e parei e apertá-las. - Mas o fato era que eu ainda mais do que antes quis o sangue dela, e minha garganta estava seca e meu estomago pegava fogo.

Vamos Josh, você precisa se alimentar! – Eu a olhei tristemente e mesmo desejando aquele sangue eu não poderia estar me tornando um canibal.

Não tem nada para se comer, a não ser isso? – Eu me referia á comida normal, e sim me referindo à carne e arroz, coisas do tipo.Não á sangue, por mais que aquilo me seduzia e me prendia a atenção, por mais que o sangue dela tivesse um cheiro doce e um gosto ainda mais.

Não, Josh querido. – Ela disse singeleza e estendeu o punho, eu a olhei com amargura e ódio e tentei me virar na cama, apensa o rosto pode ser mudado e ela pareceu se enfurecer, então saiu do quarto com uma expressão de muito poucos amigos. E depois daquela noite ela não voltou àquele quarto nas ultimas quatro semanas, eu já estava faminto e mais do que isso, estava surpreso com o fator de ainda estar vivo, sem me alimentar nem dormir. Na verdade o sono não vinha, por mais que eu tentasse, assim que eu entrava em completo silencio aquelas vozes e sonhos invadiam minha mente. Eu podia escutar os desejos das pessoas, suas orações e suas dividas mais bizarras, seus temores, seus planejamentos. Tudo que pensavam. O problema era que isso acontecia descontroladamente, e todas aquelas vozes estavam deixando-me louco, confundia-me de maneira que mesmo que eu pudesse dormir mais uma vez. Eu não conseguiria pela agitação em meu cérebro. Eu então ficava deitado e acorrentado no canto da cama no breu do quarto olhando todos os detalhes que nele havia, alem da cama, o guarda-roupa, o pequeno bidê, o majestoso cão bulldog, e um empertigado gato persa, ambos os animais de pedra. Talvez de mármore ou apenas argila. Era indefinível, naquele escuro, mesmo para mim. Entretanto elas estavam voltadas uma para outra em posições magníficas e ameaçadoras estatuas. Após exatos um mês e sete dias, Kristanna voltara ao quarto. Trajava as vestes negras e usava o cabelo em um rabo-de-cavalo lindo, trazia com sigo um copo vazio de cristal, e tinha um sorriso nos lábios.

Boa noite, querido! – Ela sorria fitando-me agradavelmente, por algum motivo eu fiquei feliz em vê-la. Não respondi, ela suspirou e tentou manter o sorriso em seus lábios.

Ok... Como foram seus dias? – Ela disse andando de um lado ao outro do quarto olhando-o por completo, balançando a taça em sua mão.

Estou faminto, por que isso? Por que fez isso comigo? – Eu só faltei chorar olhando-a.

Eu lhe dei um presente meu querido Josh, lhe dei o resto da sua vida ao meu lado. – Disse ela com um sorrisão de orelha á orelha, e então ergueu a taça mostrando-a á mim.

Eu suspeitei que estivesse com fome, e vim trazer um lanchinho... – Logo achei que fosse uma boa coisa, e minha boca salivou ansiando pelo tal lanchinho.

Há quanto tempo estou aqui? – Quis saber olhando Kristanna. Ela sorriu e se aproximou mais, colocou os lábios colados aos meus e sussurrou. –“Há uns trinta e oito dias, querido” Disse selando os meus lábios com os olhos fechados e um sorriso frio no rosto. Eu arregalei os olhos e a olhei, assim que se afastou eu não pude pensar em mais nada, só queria mais uma vez ter a sensação dos lábios dela.

Como é possível? –Eu disse olhando-a e ela riu estridente.

Você me ouviu dizer que você é um vampiro? – Ela disse friamente agora olhando-a, então se afastou lentamente e ajeitou as vestes.


[...]continua.

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